O Que Ver na Netflix em 2026: Os Grandes Sucessos em Portugal e a Análise à Nova Aposta “Strip Law”
Sabe aquela sensação de abrir a Netflix e ficar a olhar para o ecrã durante minutos a fio, sem a mínima ideia do que escolher? É uma situação incrivelmente comum. Para facilitar as suas noites de maratona, compilámos algumas das melhores produções a fazer furor em Portugal neste momento. A lista cruza o regresso de enormes fenómenos globais com estreias absolutas que estão a dar que falar, incluindo um olhar mais atento e crítico a uma nova comédia de animação recém-chegada ao catálogo.
O Regresso dos Pesos Pesados
Se gosta de seguir as tendências, a segunda temporada de “Wednesday”, lançada em agosto, lidera de forma isolada as preferências nacionais. Curiosamente, a primeira temporada beneficiou deste embalo e voltou a ser um autêntico sucesso, aguentando-se no top 10 português há umas impressionantes 13 semanas consecutivas. A narrativa volta a centrar-se na sarcástica adolescente, interpretada por Jenna Ortega, agora imersa em novos mistérios e assassinatos que afetam não só a peculiar Nevermore Academy, mas a própria família Addams.
Não muito longe no topo das tabelas está o sempre tenso “Squid Game”. A terceira temporada, estreada a 27 de junho, mantém-se firme entre as dez séries mais vistas há quase dois meses. Os implacáveis jogos de sobrevivência infantis continuam a prometer fortunas obscenas, sempre com consequências fatais para quem não chega ao fim. Outro regresso de peso é o da incontornável “Stranger Things”, que acaba de lançar a sua quinta temporada. Preparam-se assim as respostas finais sobre as forças sobrenaturais, a estranha rapariga com poderes e as experiências secretas que viraram a pequena vila do avesso.
A provar que os clássicos modernos têm um lugar cativo no streaming, “Black Mirror” apresenta uma sétima temporada recém-lançada. Continua fiel à sua premissa antológica, explorando sem pudores o lado mais sombrio da inovação e da natureza humana. Numa nota consideravelmente mais leve, “Emily in Paris” entregou a sua quarta temporada dividida entre os meses de agosto e setembro. Continuamos a seguir as peripécias amorosas e os desafios profissionais da jovem especialista em marketing na capital francesa. Se o objetivo for apenas rir à gargalhada, a quarta temporada da comédia espanhola “Machos Alfa” é a escolha acertada, mostrando como aquele grupo de quatro amigos tenta, com muitas falhas pelo meio, reconstruir a masculinidade que desconstruíram nos episódios passados.
Novas Apostas e Casos Reais
No campo das grandes novidades, a tensão e os casos reais parecem dominar as escolhas dos portugueses. O documentário “Sean Combs: The Reckoning” é um retrato cru da atualidade, acompanhando a ascensão meteórica do produtor musical P-Diddy e o seu subsequente envolvimento numa teia densa de graves escândalos, abusos e agressões sexuais. Na ficção dramática, “Adolescência” (uma estreia de 2025) continua a prender o público com a sua minissérie de quatro episódios. Acompanhamos a verdadeira angústia de uma família, terapeutas e polícia ao investigarem um rapaz de 13 anos suspeito do homicídio de uma colega.
Para os fãs de mistérios domésticos e policiais, “His & Hers” (com o curioso título português “Homem vs Bebé”) coloca marido e mulher num duelo invulgar. Ele é inspetor da polícia, ela é repórter. O problema agrava-se quando ambos competem para resolver um assassinato e começam a desconfiar um do outro. Já “The Abandons” viaja até à década de 1850 em Washington para nos entregar um drama de época intenso. Com um total de sete episódios, a narrativa relata a violenta rivalidade pela supremacia fronteiriça entre duas famílias dominadas por matriarcas de origens muito distintas.
O Veredicto sobre “Strip Law”
No meio de tanta oferta estrondosa, há um título de animação que exige uma análise mais cuidada. Falamos de “Strip Law”, a mais recente aposta de comédia legal da Netflix. Criada pelo veterano do The Late Show, Cullen Crawford, a série assume-se desde o primeiro minuto como uma verdadeira máquina de referências à cultura pop, apontada de forma cirúrgica à sensibilidade da geração dos chamados “xennials”.
A história acompanha Lincoln Gumb (com voz de Adam Scott), o filho de uma autêntica lenda da advocacia de Las Vegas que perdeu a vida recentemente num acidente algo macabro. Assombrado pela memória da mãe, pela presença do antigo sócio desta (o sempre sólido Keith David) e pela sua própria aridez enquanto advogado, Lincoln não consegue competir com os talentos mais vistosos da cidade. É após perder mais um caso aborrecido que se cruza com Sheila Flambé (Janelle James), uma ex-assistente de mágico cheia de carisma que conheceu no banco de jurados. Juntos, decidem fundir o conhecimento jurídico estrito dele com o puro espetáculo ilusório dela, instalando-se num pequeno escritório na famosa Strip de Las Vegas. A equipa ganha ainda os reforços da sobrinha de Lincoln, uma adolescente obcecada pelo ginásio que se torna a investigadora da firma, e Glem Blochman, um advogado excêntrico sem licença cuja principal função parece ser garantir enredos secundários surreais.
Sendo bastante diretos, os primeiros episódios podem ser um verdadeiro teste à paciência de quem não alinhar no tom da série. “Strip Law” foca-se imenso em piadas internas sobre a dinâmica de Las Vegas. Se alguma vez perdeu dinheiro num casino de gama média na Strip ou fez escala no aeroporto local, vai apanhar facilmente as piadas. Caso contrário, arrisca-se a ficar de fora. A série muitas vezes prefere priorizar o reconhecimento de uma referência obscura (como o filme “The Master of Disguise”, com Dana Carvey) em vez de construir uma narrativa sólida, limitando-se a comentar os clichés dos dramas de advogados em vez de os subverter com inteligência.
Ainda assim, a perseverança acaba por trazer recompensas. A partir do momento em que a série entra nos seus dois últimos episódios da temporada, a máquina oleia-se. Uma paródia caótica a galas de entrega de prémios e uma sátira direta à dinâmica da antiga série “Franklin & Bash” mostram finalmente um rumo criativo muito mais promissor do que a simples nostalgia mastigada. Requer alguma paciência inicial, mas pode muito bem tornar-se o próximo prazer culposo para quem aprecia o formato de comédia animada adulta.




