O vasto império da cultura pop que é o universo Marvel não existiria sem a visão de Stan Lee. Juntamente com lendas como Jack Kirby e Steve Ditko, Lee foi o arquiteto de ícones globais como o Homem-Aranha e o Quarteto Fantástico. Contudo, entre as suas criações mais duradouras, os X-Men ocupam um lugar de destaque, embora a história deste grupo de heróis pudesse ter sido drasticamente diferente se a vontade original do autor tivesse prevalecido. Curiosamente, enquanto o passado da Marvel revela nomes descartados e origens pragmáticas, o presente e o futuro continuam a ser moldados pelos desejos dos atores que dão vida a estas personagens, como é o caso recente de Chris Pratt.
A Génese dos Mutantes e a Recusa do Editor
Num segmento especial incluído originalmente no lançamento em DVD do filme “X2”, Stan Lee revelou pormenores fascinantes sobre a estreia do grupo em 1963. Muito antes de o cinema adaptar sagas complexas como “Deus Ama, o Homem Mata”, Lee tinha um plano simples para o batismo da equipa: queria chamar-lhes “Os Mutantes”.
A ideia, no entanto, esbarrou na resistência do seu editor na altura. Segundo Lee, o editor rejeitou o título com o argumento de que os leitores não saberiam o que eram mutantes. Perante a negação, Lee reformulou a estratégia, focando-se na figura do Professor Xavier e nos poderes extra dos heróis, chegando assim ao nome “X-Men”. O editor aprovou a mudança de imediato, uma decisão que Lee considerou irónica até ao fim dos seus dias, pois nunca compreendeu como é que o público, supostamente ignorante sobre o termo “mutantes”, entenderia intuitivamente o que seria um “X-Man”.
Pragmatismo Criativo na Origem dos Poderes
Para além do desafio da nomenclatura, a criação dos X-Men nasceu também de uma necessidade prática, ou, como o próprio Lee admitiu, de uma certa “preguiça” criativa. Ao estruturar o projeto, o autor deparou-se com a dificuldade de justificar as habilidades de tantos personagens novos.
Não querendo repetir fórmulas exaustivas, como picadas de aranhas radioativas ou explosões de raios gama — tal como aconteceu com o Hulk —, Lee optou pelo caminho mais simples. Ocorreu-lhe que, ao classificar estas personagens como mutantes, nascidos já com os seus dons, não necessitaria de fornecer qualquer outra explicação científica ou acidental para os seus poderes. Independentemente do título, essa decisão simplificou a narrativa e pavimentou o caminho para o sucesso. A estreia em “The X-Men” #1 e a posterior revitalização com “Giant-Size X-Men” #1 garantiram a longevidade da série, que viria a ser fundamental para o “boom” dos filmes de super-heróis no início dos anos 2000.
O Impacto no Cinema e o Futuro da Saga
O sucesso da série de animação dos anos 90 convenceu a Fox a apostar numa adaptação em imagem real, resultando no filme “X-Men” de 2000. Este foi, possivelmente, o êxito de bilheteira mais crucial da história da Marvel, provando que o género tinha viabilidade comercial no mercado mainstream e abrindo portas para o “Homem-Aranha” de 2002 e tudo o que se seguiu. Atualmente, a Marvel Studios prepara um reboot da franquia sob a realização de Jake Schreier, enquanto a segunda temporada da aclamada série “X-Men ’97” tem estreia prevista no Disney+ para 2026.
Chris Pratt e o Sonho de Encarnar o Justiceiro
Enquanto a saga dos mutantes se renova, outras figuras centrais do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) ponderam o seu futuro e revelam ambições surpreendentes. Chris Pratt, conhecido mundialmente como Peter Quill (Star-Lord), admitiu recentemente que o líder dos Guardiões da Galáxia não é o único papel da Marvel que gostaria de interpretar.
Numa conversa com a ScreenTime, quando questionado sobre o seu papel de sonho, Pratt respondeu sem hesitação: “O Justiceiro” (The Punisher). O ator explicou que Frank Castle foi o seu herói de banda desenhada favorito durante a infância. Pratt salientou ainda que sente já ter tocado nesse registo ao interpretar James Reece na série “The Terminal List”, mas que assumir o manto do Justiceiro seria a realização de um desejo antigo, apesar de o papel estar atualmente entregue a Jon Bernthal no universo das séries e no próximo “Spider-Man: Brand New Day”.
O Regresso Prometido de Star-Lord
Por agora, os fãs poderão ver Pratt no thriller de ficção científica “Mercy”, que estreia brevemente, onde interpreta um detetive acusado de homicídio que deve provar a sua inocência perante um juiz de inteligência artificial. Contudo, o ator descansou os seguidores da Marvel quanto ao destino da sua personagem mais famosa. Pratt confirmou que Peter Quill irá, de facto, regressar, honrando a promessa feita no final de “Guardiões da Galáxia Vol. 3” de que o lendário Star-Lord voltaria. Resta apenas saber quando e em que contexto essa aparição irá ocorrer, talvez até num confronto com ameaças futuras como o Doomsday.




